EM TODO O PAÍS & MUNDO LUSÓFONO: LANÇAMENTOS NOVA ÁGUIA: REVISTA DE CULTURA PARA O SÉCULO XXI

Desde 2008, "a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português".

A Águia foi uma das mais importantes revistas do início do século XX em Portugal, em que colaboraram algumas das mais relevantes figuras da nossa Cultura, como Teixeira de Pascoaes, Jaime Cortesão, Raul Proença, Leonardo Coimbra, António Sérgio, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva.

A NOVA ÁGUIA pretende ser uma homenagem a essa tão importante revista da nossa História, procurando recriar o seu “espírito”, adaptado ao século XXI, conforme se pode ler no nosso
Manifesto.

Tal como n’ A Águia, procuraremos o contributo das mais relevantes figuras da nossa Cultura, que serão chamadas a reflectir sobre determinados temas:

- 1º número (1º semestre de 2008): A ideia de Pátria: sua actualidade.

- 2º número (2º semestre de 2008): António Vieira e o futuro da Lusofonia.

- 3º número (1º semestre de 2009): O legado de Agostinho da Silva, 15 anos após a sua morte.

- 4º número (2º semestre de 2009): Pascoaes, Portugal e a Europa: 20 anos após a queda do Muro de Berlim.

- 5º número (1º semestre de 2010): Os 100 anos d' A Águia e a situação cultural de hoje.

- 6º número (2º semestre de 2010): A República, 100 anos depois.

- 7º número (1º semestre de 2011): Fernando Pessoa: "Minha pátria é a língua portuguesa" (nos 15 anos da CPLP).

- 8º número (2º semestre de 2011): O Pensamento da Cultura de Língua Portuguesa: nos 30 anos da morte de Álvaro Ribeiro.

- 9º número (1º semestre de 2012): Nos 100 anos da Renascença Portuguesa: como será Portugal daqui a 100 anos?

- 10º número (2º semestre de 2012): Leonardo Coimbra, Dalila Pereira da Costa, Manuel Laranjeira e João de Deus: Razão e Espiritualidade.

- 11º número (1º semestre de 2013): "Da minha língua vê-se o mar": o Mar e a Lusofonia.

- 12º número (2º semestre de 2013): O pensamento de António Quadros - nos 20 anos do seu falecimento.

- 13º número (1º semestre de 2014): O balanço de Abril, 40 anos depois - nos 20 anos do falecimento de Agostinho da Silva.

- 14º número (2º semestre de 2014): 80 Anos da "Mensagem" – 8 Séculos da Língua Portuguesa.

- 15º número (1º semestre de 2015): Nos 100 Anos do “Orpheu” e da "Arte de Ser Português"

- 16º número (2º semestre de 2015): Quem tem medo da Filosofia Lusófona? Nos 100 anos do falecimento de Sampaio Bruno.

- 17º número (1º semestre de 2016): A importância das Diásporas para a Lusofonia.

- 18º número (2º semestre de 2016): Autores em destaque - Ariano Suassuna, Delfim Santos e Vergílio Ferreira.

- 19º número (1º semestre de 2017): O Balanço da CPLP: Comunidade dos Países de Língua Portuguesa ; Afonso de Albuquerque: 500 anos depois.

- 20º número (2º semestre de 2017): autores em destaque – José Rodrigues (no ano da sua morte); Raul Brandão e António Nobre (nos 150 anos do seu nascimento); Francisco Manuel de Melo (nos 350 anos da sua morte).

- 21º número (1º semestre de 2018): autores em destaque – Dalila Pereira da Costa (nos 100 anos do seu nascimento); Fidelino de Figueiredo (nos 50 anos da sua morte).

Para o 20º número, os textos devem ser enviados até ao final de Junho.

Sede Editorial: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais, Apartado 21 (2711-953 Sintra).
Sede Institucional: MIL - Movimento Internacional Lusófono, Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa).

Contactos: novaaguia@gmail.com ; 967044286.


Capa da NOVA ÁGUIA 19

Capa da NOVA ÁGUIA 19

EDITORIAL NOVA ÁGUIA 19

No décimo nono número da NOVA ÁGUIA, começamos por dar destaque a dois eventos promovidos pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono – falamos do Colóquio “Afonso de Albuquerque: Memória e Materialidade”, que assinalou, da forma descomplexada que nos é (re)conhecida, os quinhentos anos do seu falecimento, e do IV Congresso da Cidadania Lusófona, que teve como tema “O Balanço da CPLP: Comunidade dos Países de Língua Portuguesa – 20 anos após a sua criação”.
Assim, na secção de abertura, sobre “O Balanço da CPLP”, começamos com uma reflexão de Miguel Real sobre o futuro da Lusofonia, dando depois voz aos representantes dos vários países e regiões do espaço de língua portuguesa que participaram no IV Congresso da Cidadania Lusófona – finalmente, fechamos com um Balanço do próprio Congresso e com o Discurso de justificação da entrega do Prémio MIL Personalidade Lusófona a D. Duarte de Bragança, proferido, na ocasião, por Mendo Castro Henriques. Na secção seguinte, sobre Afonso de Albuquerque, seleccionámos alguns dos textos apresentados no referido Colóquio, que decorreu em Dezembro de 2015, na Biblioteca Nacional de Portugal.
Depois, evocamos mais de uma dezena e meia de autores, começando por Afonso Botelho – falecido há já vinte anos e a quem foi dedicado o mais recente Colóquio Luso-Galaico sobre a Saudade, que decorreu no passado ano – e terminando em Vergílio Ferreira, na NOVA ÁGUIA já celebrado no número anterior, por ocasião dos cem anos do seu nascimento. Na secção seguinte, outras temáticas são abordadas – desde logo: “A Universalidade da Igreja e a vivência do multiculturalismo”, por Adriano Moreira, e a “Confederação luso-brasileira: uma utopia nos inícios do século XX (1902-1923)”, por Ernesto Castro Leal.
A seguir, em “Extravoo”, publicamos inéditos de Agostinho da Silva e de António Telmo e republicamos um conto de Fidelino de Figueiredo, “No Harém”, precedido de um ensaio de Fabrizio Boscaglia. Por fim, em “Bibliáguio”, damos destaque a algumas obras promovidas recentemente pelo MIL – nomeadamente: A “Escola de São Paulo”, de António Braz Teixeira, Olhares luso-brasileiros, de Constança Marcondes César, Política Brasílica, de Joaquim Feliciano de Sousa Nunes, e José Enes: Pensamento e Obra, resultante de um Colóquio promovido pelo Instituto de Filosofia Luso-Brasileira, a Universidade dos Açores, a Universidade Católica Portuguesa e a Casa dos Açores em Lisboa, decorrido em Outubro de 2015.
Ainda sobre Ariano Suassuna, autor em destaque no número anterior, publicamos, a abrir este número, uma ilustração do próprio Ariano oferecida a António Quadros, com uma nota explicativa que nos foi enviada por Mafalda Ferro, Presidente da Fundação António Quadros, a quem agradecemos mais este gesto de apoio à NOVA ÁGUIA. De igual modo, agradecemos também aqui – na pessoa do seu Presidente, Abel de Lacerda Botelho – todo o apoio que tem sido dado à NOVA ÁGUIA e ao MIL pela Fundação Lusíada, uma das instituições culturais mais prestigiadas em Portugal, que comemorou, no dia 12 de Março do passado ano, no Círculo Eça de Queiroz, em Lisboa, os seus trinta anos de existência. Os nossos parabéns à Fundação Lusíada.

A Direcção da NOVA ÁGUIA

Post Scriptum: Falecido no dia 4 de Março do corrente ano, dedicamos este número a Ângelo Alves, Doutorado em Filosofia em 1962, com a tese “O Sistema Filosófico de Leonardo Coimbra. Idealismo Criacionista", que, na sua última obra, “A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo” (2010), escreveu que a NOVA ÁGUIA e o MIL: Movimento Internacional Lusófono representam o "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural, após o Movimento da Renascença Portuguesa e o Movimento da Filosofia Portuguesa.

NOVA ÁGUIA Nº 19: ÍNDICE

Editorial…5

O BALANÇO DA CPLP: COMUNIDADE DOS PAÍSES DE LÍNGUA PORTUGUESA

O FUTURO DA LUSOFONIA Miguel Real…8

PORTUGAL Maria Luísa de Castro Soares…10

ANGOLA Carlos Mariano Manuel…18

MOÇAMBIQUE Delmar Maia Gonçalves…21

CABO VERDE Elter Manuel Carlos…23

TIMOR Ivónia Nahak Borges…24

MACAU Jorge A.H. Rangel…26

MALACA Luísa Timóteo…31

GUINÉ Manuel Pechirra…32

GALIZA Maria Dovigo…34

BRASIL Paulo Pereira…37

GOA Virgínia Brás Gomes…41

BALANÇO DO IV CONGRESSO DA CIDADANIA LUSÓFONA Renato Epifânio…44

D. DUARTE DE BRAGANÇA, PRÉMIO MIL PERSONALIDADE LUSÓFONA Mendo Castro Henriques…45

SOBRE AFONSO DE ALBUQUERQUE

PORQUÊ RECORDAR AFONSO DE ALBUQUERQUE? Renato Epifânio…48

AFONSO DE ALBUQUERQUE, PROFETA ARMADO, E A SOMBRA DE MAQUIAVEL Mendo Castro Henriques…49

AFONSO DE ALBUQUERQUE, DA REALIDADE À FICÇÃO: A MATÉRIA DE QUE SÃO FEITOS OS MITOS Deana Barroqueiro…58

A ARQUITECTURA MILITAR PORTUGUESA DE VANGUARDA NO GOLFO PÉRSICO João Campos…60

ASPECTOS MILITARES DA PRESENÇA PORTUGUESA NO ÍNDICO NO SÉCULO XVI Luís Paulo Correia Sodré de Albuquerque...74

BRÁS DE ALBUQUERQUE E OS COMMENTARIOS DE AFONSO DALBOQUERQUE (LISBOA, 1557) Rui Manuel Loureiro…79

AFONSO DE ALBUQUERQUE: CORTE, CRUZADA E IMPÉRIO José Almeida…89

OUTRAS EVO(O)CAÇÕES

AFONSO BOTELHO Pinharanda Gomes…92

AGOSTINHO DA SILVA Pedro Martins…97

ANTÓNIO VIEIRA Nuno Sotto Mayor Ferrão…103

AURÉLIA DE SOUSA Joaquim Domingues…111

CAMÕES Abel de Lacerda Botelho…113

FARIA DE VASCONCELOS Manuel Ferreira Patrício…119

FIALHO DE ALMEIDA José Lança-Coelho…125

FIDELINO DE FIGUEIREDO Mário Carneiro…127

LEONARDO COIMBRA João Ferreira…133

MÁRIO SOARES Renato Epifânio…139

PESSOA E RODRIGO EMÍLIO José Almeida…140

PIER PAOLO PASOLINI Brunello Natale De Cusatis…146

PINHARANDA GOMES Carlos Aurélio….151

SAMUEL SCHWARZ Sandra Fontinha…157

SANTA-RITA PINTOR José-Augusto França…168

VERGÍLIO FERREIRA António Braz Teixeira…177

OUTROS VOOS

A UNIVERSALIDADE DA IGREJA E A VIVÊNCIA DO MULTICULTURALISMO Adriano Moreira…184

CONFEDERAÇÃO LUSO-BRASILEIRA: UMA UTOPIA NOS INÍCIOS DO SÉCULO XX (1902-1923) Ernesto Castro Leal…187

CAMINHOS PARA UMA PEDAGOGIA SOCIAL OU PARA UMA TRANSDISCIPLINARIDADE DIALÓGICA Joaquim Pinto…196

O QUE SÃO AS FILOSOFIAS NACIONAIS? Luís de Barreiros Tavares…206

A HETERONÍMIA COMO ETOPEIA Mariella Augusta Pereira…214

ESCOTÓPICA VISÃO – DA ESSÊNCIA DA POESIA Pedro Vistas…223

AUTOBIOGRAFIA 2 Samuel Dimas…232

O PENSAMENTO E A MÚSICA DE MARIANO DEIDDA António José Borges…241

EXTRAVOO

VIDA CONVERSÁVEL - SEGUNDA PARTE (CONTINUAÇÃO) Agostinho da Silva…246

NOVE APONTAMENTOS INÉDITOS António Telmo…251

NO HARÉM Fidelino de Figueiredo (com um ensaio de Fabrizio Boscaglia)…254

BIBLIÁGUIO

A « ESCOLA DE SÃO PAULO» Constança Marcondes César…266

JOSÉ ENES: PENSAMENTO E OBRA Manuel Ferreira Patrício…268

OLHARES LUSO-BRASILEIROS & POLÍTICA BRASÍLICA José Almeida…270

O COLAR DE SINTRA Luísa Barahona Possollo…272

OBRAS PUBLICADAS EM 2016 Renato Epifânio…277

POEMÁGUIO

FAL A DE AFONSO DE ALBUQUERQUE AO SAIR DE MALACA José Valle de Figueiredo…90

O QUE NÃO FIZ NA VIDA André Sophia…90

MANIFESTO LUSÓFONO 1 Cristina Ohana…91

LER O AR António José Borges…205

O FRESCOR DA MANHÃ Manoel Tavares Rodrigues-Leal…240

VER, DE VERGÍLIO FERREIRA Renato Epifânio…240

INSCRIÇÃO Jesus Carlos…245

LUSO–ASCENDENTE Maurícia Teles da Silva…264

O FUMADOR Jaime Otelo…265

TINTA PERMANENTE Maria Luísa Francisco…265

ABANDONO Maria Leonor Xavier...279

DE MECA A JERUSALÉM Daniel Miranda…279

MEMORIÁGUIO…280

MAPIÁGUIO…281

ASSINATURAS…281

COLECÇÃO NOVA ÁGUIA…284


Apresentação da NOVA ÁGUIA 19

Apresentação da NOVA ÁGUIA 19
18 de Abril: Sociedade de Geografia de Lisboa (para ver, clicar sobre a imagem)

Para agendar um lançamento: novaaguia@gmail.com; 967044286.

MAPIÁGUIO (mapa de locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA): Albufeira, Alcochete, Alcoutim, Alhos Vedros, Aljezur, Aljustrel, Allariz (Galiza), Almada, Almodôvar, Amadora, Amarante, Arraiolos, Assomada (Cabo Verde), Aveiro, Azeitão, Baía (Brasil), Bairro Português de Malaca (Malásia), Barcelos, Batalha, Beja, Belo Horizonte (Brasil), Bissau (Guiné), Bombarral, Braga, Bragança, Brasília (Brasil), Cacém, Caldas da Rainha, Caneças, Campinas (Brasil), Carnide, Cascais, Castro Marim, Castro Verde, Chaves, Cidade Velha (Cabo Verde), Coimbra, Coruche, Díli (Timor), Elvas, Ericeira, Espinho, Estremoz, Évora, Faial, Faro, Felgueiras, Figueira da Foz, Freixo de Espada à Cinta, Fortaleza (Brasil), Guimarães, João Pessoa (Brasil), Lagoa, Lagos, Leiria, Lisboa, Loulé, Loures, Luanda (Angola), Mafra, Mangualde, Marco de Canavezes, Mem Martins, Messines, Mindelo (Cabo Verde), Mira, Montargil, Montijo, Nazaré, Nova Iorque (EUA), Odivelas, Oeiras, Olhão, Ourense (Galiza), Ovar, Pangim (Goa), Pisa (Itália), Ponte de Sor, Pontevedra (Galiza), Portalegre, Portimão, Porto, Praia (Cabo Verde), Queluz, Recife (Brasil), Redondo, Régua, Rio de Janeiro (Brasil), Rio Maior, Sabugal, Sacavém, Santiago de Compostela (Galiza), São Brás de Alportel, São João da Madeira, São João d’El Rei (Brasil), São Paulo (Brasil), Seixal, Sesimbra, Setúbal, Silves, Sintra, Tavira, Tomar, Torres Novas, Torres Vedras, Trofa, Turim (Itália), Viana do Castelo, Vila do Bispo, Vila Meã, Vila Nova de Cerveira, Vila Nova de Foz Côa, Vila Nova de São Bento, Vila Real, Vila Real de Santo António e Vila Viçosa.

Nota: Muitos destes lançamentos, não só no país como por todo o espaço lusófono, só têm sido possíveis pelo apoio que a este projecto tem sido dado, desde a primeira hora, pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono. O nosso público reconhecimento por isso. Desta forma, a NOVA ÁGUIA tem tido uma projecção não apenas estritamente nacional mas lusófona.

PARA ASSINAR A NOVA ÁGUIA: www.zefiro.pt/assinaturas




O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural

O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural
Ângelo Alves, "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo"

Manuel Ferreira Patrício, sobre o MIL e a NOVA ÁGUIA

Manuel Ferreira Patrício, sobre o MIL e a NOVA ÁGUIA
In AA.VV. "A Vida como Projecto. na senda de Ortega e Gasset", Universidade de Évora Edições, 2014, p. 13.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Manifesto da NOVA ÁGUIA

1 – Recriar uma revista e um movimento de transformação das mentalidades e das vidas - A revista Nova Águia pretende recriar no presente o espírito da revista A Águia, órgão do movimento da Renascença Portuguesa, enquanto aglutinador de algumas das mais notáveis figuras da nossa cultura e impulsionador de um fecundo debate de ideias de que resultaram, pela própria divergência, alguns dos mais importantes movimentos culturais do século XX em Portugal, como os que se expressaram nas revistas Orpheu e Seara Nova. A Nova Águia pretende continuar e recriar, adaptado à contemporaneidade, o melhor desses e de outros movimentos, contribuindo para uma transformação profunda das mentalidades e das vidas. 
2 – A profunda crise de Portugal e a aspiração a algo de novo - Tal como no início do século XX, sente-se que Portugal atravessa no presente uma profunda crise, a todos os níveis, com tudo o que a palavra implica de risco e oportunidade simultâneos. Agudiza-se hoje de novo, como escreveu Raul Proença num dos manifestos da “Renascença Portuguesa”, uma “atmosfera” composta de “um sentimento de mal-estar” e de “um desejo de alguma coisa” indefinida, “que nos incite, que nos impulsione, que nos una, que nos salve”. Sente-se haver, na nação e na nossa tradição cultural, imensas virtualidades criadoras que desde há muito não são assumidas nos rumos dominantes da nossa vida institucional e pública, cada vez mais condicionados pela busca de soluções meramente materiais, económicas e tecnológicas – que em si mesmas são insuficientes e se têm revelado decepcionantes – e por uma crescente anestesia e massificação das consciências, abandonadas ao produtivismo-consumismo, à publicidade e às distracções mais grosseiras, para que não sintam a alienação e o vazio das suas vidas. Quanto mais se pretende ocultar isso, com novas políticas de fachada, mais se sente vivermos num país onde nada se discute de importante, incluindo o sentido a dar à nossa existência colectiva. Sente-se que o verdadeiro problema nacional é um problema de atitude e de mentalidade e haver qualquer coisa de vital em nós que não se conforma ao paradigma produtivista-consumista da globalização civilizacional que domina e devasta o planeta. Sente-se haver uma diferença que aspira a manifestar-se e a ganhar voz. A saudade de um não sei quê ainda desconhecido, vago e nebuloso, como diria Pascoaes, mas que aponta a um futuro diverso daquele que nos querem impor. Talvez a saudade de nós mesmos, o pressentimento de tudo o que podemos ser e a dor do pouco ou nada que vamos sendo.
3 – Morte e refundação de Portugal - Portugal vive um período de morte, que pode ser ou não de ressurreição. O nosso finisterra é hoje um novo Finis Patriae, como na visão de Guerra Junqueiro. O enfeudamento do estado português aos grandes poderes políticos, económico-financeiros e culturais mundiais dissolve-nos efectivamente noutras áreas de influência e soberania, preservando-nos apenas uma independência formal, para logro dos ingénuos.
Esta morte é também a da evidente indiferença, descrença e desorientação a respeito do sentido e destino da nação, mais visivelmente traduzido no alheamento e descrédito da grande maioria dos portugueses em relação à classe política, que faz com que a abstenção seja enorme, as eleições ganhas e os governantes eleitos por maiorias francamente minoritárias em relação à totalidade da população, o que não deixa de questionar a sua legitimidade real. Há um fosso crescente entre os cidadãos e os seus supostos representantes, entre governantes que parecem apenas perseguir objectivos pessoais de poder, ou ser meros gestores e funcionários do sistema, e as nossas legítimas aspirações a termos nos postos de decisão pessoas realmente empenhadas no bem comum e com ideias de rumos mais dignificantes a dar à nossa vida colectiva.
Depende de todos nós que esta situação se altere. Portugal necessita de um grande desafio colectivo, que assegure o sentimento de solidariedade cívica sem o qual uma nação não pode existir e que não pode reduzir-se aos entusiasmos fugazes da expectativa de proezas futebolísticas. Há que refundar Portugal: “baralhar e dar de novo”, como dizia Agostinho da Silva.
4 – O sentido de Portugal como busca de uma fraterna comunidade humana e vital, alternativa ao esgotamento da civilização dominante - Portugal, enquanto pátria, é não só o conjunto dos que no seu território nascem, vivem e a sua organização sócio-política, mas também a energia viva dos mitos, símbolos, ideias, valores, vivências, sonhos, inquietações e aspirações que, na cultura popular e erudita, se plasmam numa língua e nos configuram uma identidade cultural dinâmica com um sentido espiritual, ético e existencial e uma vocação histórica. Portugal enquanto pátria transcende a nação espácio-temporal e contribui para o movimento da consciência humana para a universalidade. Sobretudo a partir do momento em que, com o abandono da terra-mãe e o descentramento para o mundo, a nossa própria identidade começou a ser vivida e pensada como busca de uma fraterna comunidade universal, multicultural e multireligiosa, fundada num sentido trans-dogmático e ecuménico do divino ou do absoluto, onde o homem se emancipe material e espiritualmente e aceda a uma vida plena sobre a terra, conforme o culto popular do Espírito Santo, Luís de Camões, Padre António Vieira, Fernando Pessoa e sobretudo Agostinho da Silva o expressaram nas metáforas da Ilha dos Amores, do Quinto Império e do Império do Espírito Santo.
A isto há que juntar a aspiração a uma mais ampla fraternidade vital, que subordine o antropocentrismo ao amor e compaixão por todos os seres sensíveis, como emerge na ética cósmica de Antero de Quental, Sampaio Bruno, Guerra Junqueiro, Teixeira de Pascoaes, José Marinho e Agostinho da Silva, que anteciparam em mais de um século a consciência ecológica e holística que hoje se impõe como condição de sobrevivência da própria humanidade.
Dado que a nossa maior singularidade é precisamente este desejo de infinito e totalidade, o nosso futuro, como proclamou Pessoa, não pode ser menos do que “Ser tudo, de todas as maneiras […] !”. Assim, como viu Agostinho da Silva, “Portugal passa a ser não propriamente um determinado país, […] mas sim uma ideia a difundir pelo mundo”. A ideia de realizar todas as possibilidades fundamentais do ser humano e viver a irmandade cósmica. O que é uma notável alternativa ao esgotamento de uma civilização em que a maioria dos seres humanos cada vez mais se reduzem à egocêntrica ganância do poder, da riqueza, da fama e do prazer, a sobreviver como escravos produtores e consumidores de coisas fúteis e a bélicos predadores de si mesmos, dos seres vivos e do planeta, numa nítida decadência das faculdades superiores, como a sabedoria, a bondade, a sensibilidade e a criatividade.
5 – As virtualidades e o universalismo da comunidade lusófona - A comunidade lusófona é o fruto mais imediato e concreto, em termos histórico-culturais, deste impulso português para a universalidade. Portugal não pode ser pensado fora da grande comunidade dos cerca de 240 milhões de falantes, em todo o mundo, da língua que tem vindo a plasmar e a ser plasmada pelas culturas vivas que nela pensam, sentem e falam e que resultam daquele ímpeto para abraçar o mundo, irredutível às motivações imperialistas – bélicas, políticas, económicas e religiosas – que no passado o acompanharam e perverteram e de que hoje nos queremos livres. Desde a Galiza a Timor, passando pelo Brasil, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Guiné, Angola (e Cabinda), Moçambique, Goa, Damão, Diu, Macau, sem esquecer Malaca e Flores, e todos os lugares onde se fala o português e se prezam os valores lusófonos, há uma comunidade vital irmanada pela língua, pela cultura e pela história que, apesar das suas dificuldades materiais e sociais, mas também por estar à margem dos grandes poderes do mundo, encerra em si virtualidades criadoras, e tão alternativas como necessárias aos rumos dominantes de um mundo em crise, como a vocação para a convivência harmoniosa com todos os diferentes povos, culturas e religiões, expressão ainda do que Jaime Cortesão designou como o nosso “humanismo universalista”.
6 – Promover as ideias e valores da cultura portuguesa e lusófona como contributo para um outro paradigma e uma outra globalização - O valor e fecundidade da cultura portuguesa e lusófona residem na medida em que, junto com o melhor de todas as culturas planetárias, possa contribuir para dar à civilização tecnológica e material o indispensável e superior sentido espiritual e ético que lhe permita a urgentíssima transformação sem a qual não pode sobreviver a uma mais que provável catástrofe, sobretudo ambiental. As ideias e valores da cultura portuguesa e lusófona – a sua aspiração ao infinito e à totalidade, o seu sentido da irmandade cósmica e do bem universal, a sua vocação para mediar e promover a harmonia entre diferentes povos, culturas, civilizações e religiões – , convergindo com a emergência planetária de um novo paradigma holístico, podem ser um importante contributo para uma outra globalização, a da paz, da fraternidade e da sabedoria, alternativa àquela cujo triunfo planetário se pressente como um prolongado e agónico canto de cisne, destino inevitável de todos os grandes impérios históricos e materiais. 
Promover assim as grandes ideias e valores da cultura portuguesa e lusófona e dar-lhes visibilidade e efectividade a nível nacional, lusófono e mundial é um serviço prestado a toda a humanidade e a toda a terra e um contributo para um mundo novo. Sem a perversão do “orgulhosamente sós”, contrário ao nosso universalismo, que nos capacita para assimilar o melhor que há em todo o mundo, há que reconhecer que boa parte das soluções que os portugueses desde há séculos procuram no exterior pode residir ignorada no mais fundo de nós mesmos. Há que vencer o complexo de inferioridade e subserviência perante o estrangeiro, que faz com que sejamos compulsivamente maldizentes de nós mesmos e só reconheçamos méritos ao que é nacional após eles terem sido reconhecidos fora do país. O reencontro e reconciliação dos portugueses e lusófonos consigo próprios, por ser um reencontro com a sua aspiração à universalidade, é a condição de possibilidade de um mais pleno e salutar encontro com a comunidade universal dos povos e das culturas. Já finda o ciclo de esperança e desengano inerente à busca do Paraíso e da redenção em regiões geográfico-culturais parcelares e limitadas: África, Oriente, Brasil, Europa. O desafio actual é encontrarmo-nos e ao mundo, ao mundo em nós, a nós no mundo. Disso depende um outro modo de vivermos a própria integração europeia, aspecto parcial da nossa mais ampla integração no mundo, que seja benéfico para nós e para a própria Europa. Como o viu Agostinho da Silva, se outrora levámos a Europa ao mundo, assumindo boa parte de responsabilidade na globalização dominante, é nossa tarefa trazermos hoje o mundo à Europa, renovando-a pelo convívio com as culturas planetárias e libertando-a do persistente eurocentrismo em que perverte o melhor de si mesma. 
7 – Uma pátria alternativa mundial - Refundar Portugal é repensá-lo e reorganizá-lo inspirados no sentido da cultura e da comunidade lusófona como o de servir o bem do mundo, veiculando uma cultura de paz, diálogo e compreensão entre os diferentes povos, culturas, civilizações e religiões. A própria diáspora planetária da comunidade lusófona é expressão física dessa vocação e condição estratégica fundamental para a difusão de um novo paradigma de consciência e convivência planetária.
Portugal e a comunidade lusófona devem assumir-se como espaço mental, cordial e físico de pontes, transições, mediações, diálogos e intercâmbios entre povos, culturas, civilizações, religiões e irreligiões, entre Norte e Sul, Ocidente e Oriente, passado e futuro. Portugal e a comunidade lusófona poderão ser uma espécie de pátria alternativa mundial, embrião dessa possível comunidade planetária futura cuja visão é tão presente na nossa tradição. Uma pátria alternativa mundial no sentido de uma pátria do espírito – aquela “ideia a difundir pelo mundo” de que fala Agostinho da Silva – que dê o exemplo de ser livre do comum egoísmo nacional e nacionalista veiculando ideias, valores e práticas tão universais e benéficas que todos os cidadãos do mundo nelas se possam reconhecer, independentemente das suas nacionalidades, línguas, culturas, ideologias e religiões. Uma pátria-mátria-frátria que esteja sempre na primeira linha da expansão da consciência, da defesa dos valores humanos fundamentais e das causas humanitárias, da sensibilização da comunidade internacional para todas as formas de violação dos direitos humanos e dos seres vivos e do apoio concreto a todas as populações em dificuldades.
8 – Libertação de complexos de superioridade e inferioridade - Devemos reconhecer que as qualidades virtuais do homem e da cultura portugueses e lusófonos se acompanham de não menos evidentes e correlatos defeitos, o maior dos quais é a descrença em si próprios, a excessiva passividade e a falta de persistente e metódico cultivo e desenvolvimento dessas mesmas qualidades. A verdadeira superação do referido complexo de inferioridade deve libertar-nos também da sua bipolar mutação num complexo de superioridade, curando-nos dessa oscilação entre períodos de fugaz exaltação extrema e prolongada e profunda depressão que tanto nos caracteriza psicológica e historicamente. Para assumir plenamente a sua vocação histórica, o homem português e lusófono deve começar por se autoconhecer e se libertar dos seus complexos.
Neste sentido, há que repensar alguns aspectos da tendência fortemente enraizada na nossa tradição, sobretudo a partir dos Descobrimentos, desde Camões a Pascoaes, Pessoa e Agostinho da Silva, para um lusocentrismo messiânico, em que Portugal, como nas palavras paradigmáticas do Padre António Vieira, tende a ser visto como um “novo povo eleito”, do qual dependeria unilateralmente a redenção do mundo. Aqui retemos a crítica de Eduardo Lourenço à “construção mítica da imagem de um Portugal-menino-jesus-das-nações”, tanto mais que, a par do irrealismo e das perigosas consequências dos messianismos etnocêntricos, o resultado desta concepção, entre nós, tem sido sobretudo a esperança passiva, sempre frustrada e adiada, de uma mutação miraculosa dos acontecimentos que nos deixa afinal à margem e à mercê do seu encadeamento, no mero limbo desse “salto para fora da história”, como caracterizou Oliveira Martins o sebastianismo, que não se converte numa recriação da realidade e da vida. Além disso, Portugal e a comunidade lusófona não são essências ou supra-entidades individuais, com uma vida própria, que se possam substituir aos indivíduos concretos que pensam e agem e, em todas as nações e culturas, podem incarnar ideias que melhorem o mundo. Dito isto, não rejeitamos que os mitos e profecias acerca de um destino grandioso de Portugal e da comunidade lusófona, sintetizados na ideia de contribuirmos para o Quinto Império como metáfora da consciência e da fraternidade universal, são um indicador da nossa vocação e possibilidade mais profundas, que todavia só se realizarão se, em conjunto com o melhor de todos os povos e culturas, nos auto-elegermos para as cumprir.
9 – O MIL: Movimento Internacional Lusófono: um movimento cultural, cívico e pedagógico na linha da “Renascença Portuguesa” - O projecto Nova Águia não se esgota na revista assim designada, sendo uma das expressões de um movimento mais vasto de carácter cultural, cívico e pedagógico, o MIL: Movimento Internacional Lusófono, que pretende continuar o trabalho do movimento da Renascença Portuguesa, no início do século XX, agora a uma escala também lusófona e planetária. Um movimento que pretende a transfiguração do presente imediato e não apenas um futuro distante. Embora visemos em última instância transformar a sociedade, a nação e o mundo, sabemos que isso só é possível a partir da nossa própria transformação individual e do seu alastramento contagiante a outras transformações individuais. A este nível, de ninguém dependemos se não de nós mesmos e portanto tudo é desde já possível.
Destinamos estas ideias e proposta a todos os cidadãos, mais imediatamente aos portugueses e lusófonos, mas também aos homens de todo o mundo, que na sua universalidade se possam reconhecer. Propomos que, retomando o projecto de Agostinho da Silva no final da vida, e a exemplo do culto popular do Espírito Santo, nascido na nossa Idade Média e disseminado por todo o planeta, todos os que nestas ideias se reconhecerem se organizem em núcleos de debate e difusão desta proposta e sobretudo espaços de fraterna convivência onde desde já se antecipe o mundo melhor que todos desejamos. É a partir deste movimento de base que se podem progressivamente transformar os poderes instituídos, de modo a substituir-se uma política escrava da incultura, da vontade de poder e da obediência aos lobbies financeiros mundiais, pela acção de pessoas desinteressadamente empenhadas em servir o bem comum e com um sentido ético-espiritual, cultural e civilizacional da política, que saibam e pratiquem como a sabedoria e o amor são indispensáveis à melhor organização do mundo.
A Nova Águia assume a tarefa pedagógica de difundir ideias fundamentais de modo acessível a todos, não sendo uma revista de intelectuais e artistas para intelectuais e artistas e convocando uns e outros – quase sempre demasiado fechados nas suas carreiras e obras – a porem o seu saber, sensibilidade e criatividade ao serviço da transformação da sua vida e da dos seus concidadãos.
10 – Unir céu e terra: É a Hora ! - Ao escrever e publicar este Manifesto assumimos a nossa responsabilidade e não fugimos ao grave desafio do momento presente. Fazemo-lo com a alegria de quem não cala o que pensa e sente, por mais incómodo que possa ser. Aqui ficam estas ideias e proposta. A todos pertencem, para que as critiquem, melhorem e assumam. O primeiro passo está dado.
A Nova Águia vai levantar voo. Por natureza habita os mais altos cumes e paira nos mais elevados e insondáveis espaços, contemplando o sol face a face. Mas esta Nova Águia tem um coração de Pomba. Por isso tanto mais se erguerá no céu virginal e puro quanto mais descer em direcção à terra, para aí pacificar, libertar e erguer para o mesmo céu os olhos e os corações de todos os seres, seus irmãos. Que todos ganhem asas e para sempre unam céu e terra é o seu único fim. 

Publicado in NOVA ÁGUIA: REVISTA DE CULTURA PARA O SÉCULO XXI, nº 1, 1º semestre de 2008, pp. 7-13.